sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Livro: O último cabalista de Lisboa

Este não é o primeiro livro de Richard Zimler que aparece aqui no blog, se te lembras do livro a "A Sétima Porta", com certeza lembras-te que gostei bastante e que o recomendei. Este é o livro que antecede o que já tinha lido e na curiosidade de experimentar uma nova obra dele, não o podia perder.


"Em Abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de 2000 cristãos-novos foram mortos num pogrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio. Reinava então D. Manuel I, o Venturoso, e os frades incitavam o povo à matança, acusando os cristãos-novos de serem a causa da fome e da peste que flagelavam a cidade.
Os Zarco, uma família de cristãos-novos residentes em Alfama, tinham como patriarca Abraão Zarco, iluminador e membro respeitado da célebre escola cabalista de Lisboa. Depois do pogrom, Berequias Zarco, sobrinho e discípulo de Abraão, vai encontrar o tio e uma jovem desconhecida mortos numa cave que servia de templo secreto desde que a sinagoga fora encerrada pelos cristãos-velhos. Um e outro estão nus e banhados em sangue. Estranhamente, a porta está fechada por dentro.
Um manuscrito iluminado, recentemente terminado por Abraão Zarco, em que os rostos dos seus vizinhos e amigos representam personagens bíblicas, desapareceu do seu esconderijo secreto.
O assassino teria sido um cristão ou, como os indícios fazem crer, outro judeu? Quem seria a rapariga morta? Estaria o rosto do assassino representado no manuscrito roubado?
O ultimo cabalista de Lisboa é um extraordinário romance histórico tendo como pano de fundo os eventos verídicos desse mês de Abril de 1506 e pode ser lido a vários níveis, na tradição de um verdadeiro livro cabalístico.
Publicado originalmente em Portugal, o livro depressa catapultou o seu autor para um sucesso internacional, tendo sido publicado em toda a Europa e Estados Unidos."

A síntese, tal como Richard Zimler nos habituou, é bastante fiel e pormenorizada do livro, não fazendo rodeios, nem "espetacularizando" a história para nos atrair que nos leva depois a nos desiludir. Na minha opinião este livro pode ser dividido em duas partes distintas, a primeira bastante centrada na situação social degradante que se vive na Península Ibérica, com a expulsão dos judeus de Espanha por D. Fernando, o atentado à liberdade pessoal de escolha da religião em Portugal que os obrigou a converterem-se ao cristianismo enquanto cristãos-novos, à culpabilização dos judeus pelo castigo de Deus que penalizava o país com a fome e a peste e consequentemente a matança. Descrito na primeira pessoa, bastante detalhado, levando o leitor a sentir-se presente naquela época e a sentir o repudio sentido pelo outro lado, a minoria. A segunda parte, acontece depois da morte de Abraão Zarco e a investigação levada a cabo pelo seu sobrinho e herdeiro do cabalista, Berequias Zarco que é obrigado a desconfiar da sua própria sombra, amigos e família para desvendar este obsessivo mistério (que a sinopse levanta o véu).

É escrito de uma maneira bastante fria e cruel que quase dá uma estalada ao leitor com as palavras por herdar este passado tão vergonhoso de uma maneira tão complacente. Gostei, mas inevitavelmente comparando com o outro, gostei mais do primeiro, não teve a capacidade de me prender e querer ler mais e mais. Uma leitura que exige concentração pela quantidade de histórias interligadas e vasto número de personagens que muitas vezes assumem dois nomes distintos.

São 383 páginas, estas são meio amareladas da cor do papel reciclado, mas não cansam a vista nem prejudicam a leitura, a capa mole não acrescenta peso ao livro o que é um ponto a favor.

Já conheces?
Vais ler?

2 comentários:

  1. Eu não conhecia o livro, mas amei a sinopse. Vou pesquisa outro livro do autor.
    Com carinho, Hina | Aishiteru em Contos

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    1. Olá Hina,

      No blog tem outro livro do autor, que como disse gosto mais. Não conheço mais nenhum além destes dois, acho que são mesmo os best sellers dele.

      Obrigada pelo teu comentário.

      Beijinhos

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